Como fechou a safra de soja 2020/21?

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou o 11º Levantamento da Safra de Grãos e aponta como fechou a safra de soja 2020/21 no Brasil. Com a colheita concluída foram 135.978,3 millhões de toneladas, um avanço de 8,9% em relação à safra anterior. E os números seguem positivos.

A área plantada apresentou crescimento de 4,3% em comparação à safra anterior, atingindo 38,5 milhões de hectares. Apesar dos problemas com o clima, especialmente na colheita que afetou a qualidade de alguns lotes colhidos, a produtividade alcançada registrou incremento de 4,5% em relação ao exercício passado, e estes fatos de natureza climática não foram suficientes para afetar a consolidação das estatísticas.

O aumento de área foi incentivado, principalmente, pela alta dos preços internacionais, aliada ao dólar elevado de 2020. A demanda interna total (esmagamentos, sementes e perdas) é estimada em 50 milhões de toneladas, com uma avaliação do uso para esmagamento um pouco menor que a safra de 2020. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de soja para julho foram estimadas em aproximadamente 8,7 milhões de toneladas. Esse número é 13% menor que o exportado em julho de 2020, estimado em 9,95 milhões de toneladas.

Com isso, as exportações brasileiras de soja em 2021 somam aproximadamente 66,22 milhões de toneladas. Esse volume já é 2,51 milhões de toneladas inferior ao exportado de janeiro a julho de 2020. Por este motivo, e somado ao baixo percentual comercializado de soja brasileira, até o momento, as exportações anteriormente estimadas em 86,69 milhões de toneladas passam a ser de 83,42 milhões de toneladas, podendo ser ainda menor caso as exportações dos próximos cinco meses não apresentem um incremento.

Agora vários estados já estão no período de vazio sanitário da cultura, onde não pode haver nenhuma planta viva de soja na lavoura como forma de combater o fungo causador da Ferrugem Asiática, principal doença.

Veja o desempenho por regiões:

REGIÃO NORTE-NORDESTE

O plantio regional atingiu 5.876,6 mil hectares, 7,5% de incremento em relação à safra anterior. As dificuldades apresentadas pelo clima, não trouxeram comprometimento aos níveis de produtividade regional, e a produção atingiu 20.304 mil toneladas, representando incremento de 8,5% em relação ao exercício anterior.

Em Rondônia, a finalização da colheita da segunda safra, produzida no estado, foi encerrada em junho, já que plantas vivas de soja não podem existir nos campos a partir de 15 de junho, que coincide com o período de vazio sanitário da soja em Rondônia que ocorre de 15 de junho a 15 de setembro, com fiscalização realizada pela Agência de Defesa do Estado de Rondônia (Idaron). Dessa forma, os produtores dessecam as lavouras até esta data para colher logo em seguida. A qualidade do produto colhido foi considerada boa, principalmente a produção da segunda safra, que, apesar de ser menor, tem qualidade dos grãos muito superior à primeira safra, dadas as características climáticas.

Em Tocantins, o plantio da soja subirrigada foi concluído na primeira quinzena de junho, com expectativa de manutenção de área. As lavouras se encontram na sua maior parte no estágio de enchimento de grãos. Toda a área de soja subirrigada é destinada à produção de semente. Até o momento, não foram observados nas lavouras problemas fitossanitários que estejam fora dos níveis de controle.

No Maranhão, a colheita da principal oleaginosa produzida no estado se encontra finalizada em todas as regiões pesquisadas. Neste levantamento a área plantada apresentou incremento de 3% em comparação à safra anterior, passando de 976,4 mil hectares para 1.005,7 mil, em virtude da influência dos veranicos ocorridos na região sul do estado, sem, contudo, afetar os níveis de produtividade. A produtividade ficou fixada em 3.267 kg/ ha, que representa um incremento de 1,9% em relação à safra anterior.

O maior produtor das regiões foi a Bahia com 6,838 milhões de toneladas, avanço de 11%. O maior crescimento em produção foi Amazonas, com avanço de 143% (somou 12 mil toneladas). A maior queda se deu no Amapá, com -78% (de 59 mil toneladas para 12 mil toneladas).

REGIÃO CENTRO-OESTE

A região foi bastante afetada pela instabilidade do clima, particularmente no momento da colheita, sem, no entanto, comprometer o histórico desempenho regional. Houve incremento de 3,5% na área plantada, totalizando 17,2 milhões de hectares, com uma produção de 61.321,7 mil toneladas, representando aumento de 1% em relação ao exercício passado.

Mato Grosso é o campeão da região, com 35,8 milhões de toneladas, mantendo a safra anterior. A menor produção foi do Distrito Federal, com pouco mais de 292 mil toneladas, pequeno avanço de 0,5%.

REGIÃO SUDESTE

Na Região Sudeste, o clima não interferiu no desempenho das lavouras, e a produção registrou forte impulso, atingindo 11.321,1 mil toneladas. Graças ao desempenho das lavouras de soja em São Paulo e em Minas Gerais a região apresentou, nesta temporada, recordes históricos de área, produtividade e produção.

O estado mineiro produziu pouco mais de 7 milhões de toneladas (alta de 13,8%) e São Paulo atingiu 4,2 milhões de toneladas (alta de 8,6%).

REGIÃO SUL

Incremento observado na área plantada de 2,4% em relação ao exercício anterior, atingindo recorde regional de 12.375,3 mil hectares. Exceção feita ao ocorrido no Paraná, onde o clima afetou duramente as lavouras, o desempenho nos demais estados foi espetacular. A região apresentará produção recorde, atingindo 43.031,5 mil toneladas, representando incremento de 21,9% sobre o exercício passado.

Depois de uma forte estiagem na safra 2019/20, a produção gaúcha cresceu acima de 80%, fazendo o Rio Grande do Sul ultrapassar as 20 milhões de toneladas de soja nesta temporada contra 11 milhões na anterior e passou a ocupar o segundo lugar como maior produtor nacional da oleaginosa. Já o Paraná teve queda de 8% e somou 19,8 milhões de toneladas.

Fonte: Agrolink

Data: 11/08/2021