Enfezamentos e viroses avançam no Sul

Os estados do Sul estão sofrendo na safra 2020/21 com a maior incidência da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e do pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis), principais vetores do Complexo de Enfezamento e Viroses, que causam grandes perdas na cultura. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA- Esalq/USP), a falta de controle do inseto pode gerar queda de 6,6% na produção nacional do grão e um aumento de 2,2% nos preços do milho no mercado interno.

Um levantamento da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) apontou a presença da praga em 48% dos municípios paranaenses analisados. Já dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) mostram que a perda de produtividade em algumas regiões monitoradas chegou a 20%.

O complexo de enfezamentos e viroses, conhecido cientificamente como Complexo de Molicutes e Viroses (CMV), é composto por quatro doenças distintas que podem ou não ocorrer simultaneamente. São dois tipos de enfezamento (pálido e vermelho), o vírus da risca, que tem como principal vetor a cigarrinha-do-milho, e a virose do mosaico com o pulgão do milho como vetor.

No caso de enfezamentos, os agentes causadores são molicutes, tipos de microrganismos semelhantes às bactérias. Além das estrias nas folhas, as plantas infectadas têm altura reduzida (enfezada), proliferação e má formação de espigas e grãos, e tombamento.

Já o vírus da risca é caracterizado por pequenas pontuações claras nas folhas e abortamento das gemas florais, proporcionando redução de 70% da produtividade da lavoura. “Além da perda de produtividade causada pelo próprio enfezamento, o CMV também deixa a planta debilitada e mais suscetível a outras doenças oportunistas”, completa Diogênes Panchoni.

Há também os danos causados pelo vírus do mosaico transmitido pelo pulgão do milho e uma das doenças mais devastadoras na cultura, gerando perdas significativas. No período vegetativo, os sintomas aparecem na parte principal da folha, com manchas verde claro e áreas verde escuro, configurando um aspecto de mosaico. Causa espigas mal granadas ou sem grãos, mau empalhamento, espigas atrofiadas e espigas caídas antes da maturação fisiológica. Além disso, pode ocasionar quebramento de plantas, 90 a 120 dias, mesmo sem nenhum sintoma de doença de solo ou podridão.

Como controlar

Algumas estratégias podem ser adotadas para frear as doenças. A principal é o manejo correto das lavouras. As recomendações incluem a eliminação das plantas espontâneas (tiguera) no ciclo anterior, a sincronização da semeadura dentro da propriedade e na região, uso de sementes tratadas com inseticida, e utilização de controle químico com pulverização (nos casos de alta incidência da cigarrinha, histórico da doença na área e apenas em estágios iniciais de desenvolvimento da planta).

Os híbridos com genética tolerante também aparecem como uma das principais estratégias para controle do complexo de doenças. “Há híbridos tolerantes às doenças que compõem o complexo e conseguem entregar altos patamares de produtividade”, explica Diogênes Panchoni, engenheira agrônoma e líder da Morgan Sementes.

Recentemente, a Epagri emitiu um novo comunicado reforçando a importância do manejo e da escolha de híbridos tolerantes, além de destacar que segue monitorando o impacto dos insetos no estado. No início do ano, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná já havia divulgado a realização de um levantamento apontando a presença das doenças do complexo em 36% das amostras colhidas na região.

Fonte: Agrolink

Data: 10/03/2021