Entenda os impactos do clima na agricultura brasileira

O novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês: Intergovernmental Panel on Climate Change – acaba de ser divulgado, evidenciando a relação entre o aquecimento global e eventos extremos que têm se mostrado cada vez mais frequentes.

As mudanças climáticas estão entre os maiores problemas que enfrentamos na atualidade. Para solucioná-lo, são necessárias ações coordenadas entre países de todo o mundo. A compreensão de que ações locais podem gerar consequências – positivas ou negativas – em escala planetária, motivou a criação de uma organização científica de caráter intergovernamental.

O que é o IPCC?

O IPCC foi fundado em 1988, a partir de uma iniciativa conjunta da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Seu objetivo é fornecer avaliações consistentes, baseada nas pesquisas científicas mais recentes, sobre as mudanças climáticas e seus desdobramentos. O órgão está estruturado em três grupos de trabalho distintos, responsáveis por publicar periodicamente relatórios científicos que fazem um panorama do presente e projetam cenários futuros. Neste sexto relatório, foram 195 países signatários, incluindo o Brasil, e mais de 14 mil artigos científicos consultados.

Um dos papéis do IPCC é montar relatórios, como este último, abordando vários cenários possíveis para que cada governo avalie as políticas aplicáveis para o seu país ou que esses resultados sejam discutidos em um âmbito global. Sendo este último, o objetivo da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), que está programada para ser realizada na cidade de Glasgow, Escócia, em novembro de 2021, sob a presidência do Reino Unido.

Sabemos que a influência humana provoca o aquecimento do planeta?

No primeiro relatório em 1990 tinha-se proposto que as influências humanas eram uma possível causa do aquecimento global e consequentemente das mudanças climáticas, no entanto com as ferramentas, estudos e a ciência conhecida daquela época ainda não eram sofisticados o suficiente para se afirmar isso. O que mudou é que, hoje, como aponta o novo relatório, as evidências científicas mostram que atividades humanas são inequivocamente responsáveis por essas mudanças climáticas que estamos vivenciando.
Esses resultados foram obtidos através de novas observações e descobertas do funcionamento do sistema climático terrestre. Além disso, hoje, temos melhores ferramentas matemáticas e métodos de inteligência artificial que ajudaram nos estudos avaliados pelo relatório. Essas novas tecnologias têm permitido elaborarmos modelos computacionais em maior escala e estudarmos períodos passados do clima do planeta.

Contudo, mesmo com toda o ferramental conhecido para construção de modelos matemáticos que representem o clima, não é possível representar as mudanças observadas sem incluir a influência humana no sistema. Como podemos observar no gráfico abaixo onde mostra as mudanças na temperatura da superfície global nos últimos 170 anos (linha preta) em relação a 1850-1900 e em média anual, em comparação com as simulações de modelo climático CMIP6 da resposta da temperatura para os fatores humanos e naturais (marrom), e apenas com forçantes naturais (atividade solar e vulcânica, na cor verde). As linhas de cores sólidas mostram a média e os tons coloridos mostram a faixa muito provável de simulações.

Quais os impactos no Brasil?

Pela primeira vez, o relatório do IPCC fornece uma avaliação regional mais detalhada das mudanças climáticas, destacando informações que poderão ser muito úteis para subsidiar avaliações de risco regional, adaptações e tomadas de decisão. Esses dados regionais também estão disponíveis em um atlas interativo on-line, e em fichas técnicas e informativas. O Atlas de Mudanças Climáticas, que integra o relatório, apresenta uma ficha técnica para a América do Sul.

Nas projeções mais pessimistas, a temperatura média global pode aumentar 4º C, e no Brasil os extremos de temperaturas quentes terão um aumento, sendo a parcela sul a região onde esse efeito terá a maior amplitude. Já nas demais áreas, o efeito também será sentido, mas com menor intensidade se comparado a região sul. O sul do país também vai experimentar um aumento nos extremos de precipitação. Por outro lado, o relatório indica que o nordeste brasileiro terá um aumento nas secas agrícolas.

Apesar de um aumento na precipitação na região sul, os eventos extremos, isto é, as chuvas torrenciais vão ser mais frequentes; os períodos de estiagem serão cada vez mais longos; ondas de calor intenso ficarão também mais frequentes e prolongadas; e períodos de frio mais intensos em um curto período de tempo.

Quais os impactos na produção Agrícola Brasileira?

Sem sombra de dúvidas a produção agrícola, apesar de toda a tecnologia empregada na agroindústria, ainda é dependente da forçante climática. Desta forma os impactos mais expressivos serão nas culturas produzidas no Brasil serão sentidos na região nordeste, sobretudo no interior nordestino, e também na região sul. A tendência também mostra uma diminuição da quantidade de precipitação anual, principalmente na região central e leste ama?onica com uma redução de 10% a 20%, áreas muito importantes na produção de grãos do país.

Outro fator que será influenciado por essas mudanças, é o zoneamento agrícola, impactando até mesmo no período de implementação de uma determinada cultura. Além disso, onde hoje uma particular cultura é viável, pode não ser viável daqui a 10 ou 20 anos. E o seguro agrícola também terá impactos, especialmente na avaliação de risco, pois com mais riscos à produção, consequentemente haverá mais riscos para a seguradora.

*Material exclusivo elaborado pela equipe Agrotempo.

Fonte: Agrolink

Data: 11/08/2021