Estragos do La Niña ainda não acabaram

O fenômeno climático La Niña costuma provocar estiagem no Brasil, especialmente nas áreas agrícolas da Região Sul do País. Mesmo que as agências meteorológicas coincidam em apontar que o ciclo de esfriamento das águas de superfície do Oceano Pacífico acabou, as autoridades brasileiras declararam um “alerta emergencial de seca” para os próximos meses de junho a setembro de 2021.

De acordo com eles, as chuvas devem permanecer escassas na bacia do rio Paraná, que inclui os estados de Minas Gerais, o maior produtor de café do Brasil, bem como São Paulo (o maior produtor de cana-de-açúcar), e Paraná, um dos maiores em milho safrinha e soja.

“E embora o principal estado produtor de milho safrinha, Mato Grosso, não tenha sido incluído no alerta, ele não está escapando da seca no Brasil, que supostamente enfrenta sua pior estiagem em 91 anos. O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada), citando a falta de umidade, cortou sua previsão para a produção de milho do estado em 2,6 milhões de toneladas, a maior baixa em três anos”, destaca Mike Verdin, editor-chefe da agência de informações especializada Agrimoney.

De acordo com ele, no entanto, o impacto dessas últimas preocupações com o clima no inverno brasileiro não está se refletindo uniformemente nos mercados. “Enquanto as cotações dos futuros do café arábica na terça-feira estabeleceram uma nova máxima em quatro anos, o açúcar mostrou ganhos menos impressionantes, enquanto o mercado de milho parece ter ignorado o anúncio”, analisa Mike Verdin.

“Por quê? Em parte, isso reflete os ciclos de temporada, com a safra de 2022 do café arábica um tanto em jogo também. Além disso, em parte pesa a geografia, com investidores de milho mais focados no Meio-Oeste dos Estados Unidos”, conclui o editor-chefe da agência Agrimoney.

Fonte: Agrolink

Data: 02/06/2021