Irrigação pode aumentar milho no RS

O avanço da irrigação pode aumentar a produção de milho do Rio Grande do Sul. O assunto foi um dos temas debatidos pela Câmara Setorial do Milho da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR). Na safra 2020/21 o Estado soma 801 mil hectares para a cultura, um avanço de 1,3% e espera produção de 4,3 milhões de toneladas, alta de 11%, segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sendo o sexto maior produtor do grão no país.

Com uma grande demanda do setor de proteínas como aves, suínos e leite, entidades do setor entendem que é preciso aumentar a produção local e diminuir a dependência do milho vindo de fora. Nesse âmbito surgiu, em 2020, o Pró-Milho/RS, para traçar ações de fomento ao setor.

O grupo debateu a importância da irrigação para produção de milho e as dificuldades com licenças ambientais para armazenagem de água. Com apoio da Emater/RS-Ascar houve a elaboração de projetos de secagem e armazenagem em propriedades rurais, aumentando a capacidade de armazenagem dos produtores rurais; elaboração de projetos de irrigação para milho; e a realização de dois seminários sobre irrigação.

O analista agropecuário e florestal da SEAPDR, Altair Hommerding, apresentou o Programa “Mais Água, Mais Renda”, que existe desde 2011. “No total, foram feitos 1622 projetos para irrigação em milho. Foram 1.098 pivôs centrais, totalizando uma área irrigada de 72.650 hectares. Mesmo assim, o programa vai se extinguir em novembro deste ano”, lamentou.

Segundo o assessor técnico da Câmara Setorial, Valdomiro Haas a proposta é aumentar em 50 mil hectares a área irrigada na metade norte (Planalto) representa um incremento de 350 mil toneladas do grão. E introduzir 50 mil hectares com irrigação (sulco ou pivô) representa incremento de 600 mil toneladas. “No total, o incremento seria de 950 mil toneladas”, argumentou.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho no RS (Apromilho-RS), Ricardo Augusto Meneghetti, o que barra a expansão da irrigação é a insegurança jurídica com relação à interpretação da legislação no que se refere à armazenagem de água para irrigação. De acordo com ele, muitas vezes os fiscalizadores da legislação têm interpretações diferentes uns dos outros sobre as leis e, por vezes, algum reservatório de água que tenha sido construído pode ser interpretado como barragem, detenção, açude, ou lagoa. “O técnico que fez o projeto tem uma interpretação da lei, e o fiscal tem outra, gerando confusão para o produtor”, explicou.

Na opinião de Meneghetti, muitas vezes as questões ideológicas estão inseridas nesse meio, principalmente as ecológicas. “Já sabemos hoje que a parte de reservação de água para irrigação geralmente é feita sob a orientação do órgão legislador, mas, na hora da fiscalização, a coisa complica. O pessoal tem reclamado bastante é que reservatórios construídos há mais de 10 anos estão sendo hoje ameaçados com processos para que sejam desmanchados. Mas durante esse tempo já existe um ecossistema em volta do reservatório, já preservado. Então, o custo que hoje teríamos para desfazer uma situação dessas, o prejuízo para o Estado seria muito grande, porque, muitas vezes, essa reservação de água é suficiente para irrigar até 250 hectares de milho. E se o agricultor for forçado a desmanchar o reservatório, ele perderá seu investimento em pivôs de irrigação”.

O Pró-Milho tem como metas para 2021/2022: difusão de informações técnicas, unidades de referência tecnológicas, orientação para reduzir impactos na colheita e na pós-colheita, secagem e armazenagem, assistência técnica e extensão rural em irrigação e incentivar prefeituras a adotarem estratégias de fomento, assistência técnica e extensão rural a produtores de milho, e ampliar ações com parceiros do Programa.

Fonte: Agrolink

Data: 14/07/2021