Pesquisa busca soja convencional altamente produtiva

Pesquisadores da Embrapa buscam aperfeiçoar e desenvolver variedades de soja convencional altamente produtivas. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área de soja convencional na safra de 2020/21 foi de 484 mil hectares, no Mato Grosso, seguido pelo Paraná, com 206 mil hectares. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram 52 e 43 mil hectares, respectivamente. Os quatro estados plantam 87,6% da área usada com plantio de soja convencional no Brasil.

Segundo o instituto a área plantada com soja não transgênica no MT está diminuindo a cada ano, atualmente está em 4,7%. Um exemplo de cultivar não transgênica que tem alcançado as mais altas produtividades de soja no Mato Grosso e na Bahia é a BRS 8381, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Fundação Cerrados. A variedade em questão apresenta altíssimo potencial produtivo com estabilidade e hábito de crescimento ereto, arquitetura arejada, auxiliando no controle das principais doenças: ferrugem, mofo branco e lagartas.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2016 foram registradas 141 variedades transgênicas e três convencionais; em 2020 esse número saltou para 782 transgênicas e 21 convencionais, sendo 43% desenvolvidas pela Embrapa.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, defende, no entanto, que é importante para o agricultor brasileiro ter alternativas de escolha na hora do plantio. “O mercado pode ter certeza que nós aqui na Embrapa vamos continuar pesquisando e lançando bons materiais não transgênicos. Temos condições para isso, capacidade instalada de laboratórios, de pesquisadores e parceiros importantes que nos permitem trabalhar com muita eficiência”, afirma.

No entanto há alguns problemas que devem ser resolvidos como a questão da semente salva. “Os sementeiros reclamam que está cada vez mais difícil vender a soja livre (convencional). E, ao mesmo tempo, os agricultores falam que está complicado comprar variedades novas de soja convencional. É um cenário que precisa ter mais diálogo entre o cliente, o mercado e o obtentor. Porque esse trabalho de melhoramento genético é caro e precisa ser remunerado de alguma forma depois do lançamento, caso contrário, os obtentores irão cada vez mais ficar desestimulados em pesquisar novas cultivares”, afirma.

O diretor do Instituto Soja Livre, Ricardo Arioli, esclarece que o problema não está no fato de o produtor salvar as sementes. “Esse é um direito dele que queremos preservar. A questão é discutirmos uma forma de remunerar o obtentor nesses casos. Acredito que não tenha ninguém contra isso. Temos que dialogar a respeito, não podemos continuar nessa situação”, avalia. Segundo ele, o desenvolvimento de novas variedades é benéfico para toda a cadeia de produção, principalmente para os agricultores. “Precisamos garantir novas variedades no mercado. Isso é o que tem nos mantido vivos aqui no MT. E variedade nova produtiva chega todo ano graças aos obtentores e ao melhoramento genético”, afirmou.

A Embrapa está incorporando ao programa de melhoramento novas ferramentas, como a genômica, com o objetivo de aumentar cada vez mais a eficiência e o ganho genético. Este ano estão previstos novos materiais de ciclo curto e com alto teto produtivo para o Mato Grosso. Segundo o pesquisador a ideia é aliar esses novos materiais às tecnologias de manejo que estão sendo desenvolvidas, como bioinsumos e remineralizadores, será possível oferecer ao mercado soja sustentável, muito demandada especialmente por países europeus. “O trabalho de melhoramento genético de soja da Embrapa tem buscado novas modalidades de manejo com vistas a viabilizar a produção de ‘soja de baixo carbono’.

Fonte: Agrolink

Data: 24/05/2021