Próximo trimestre terá La Niña neutro

O fenômeno La Niña, causado pelo resfriamento das águas do Pacífico, que tradicionalmente causa seca no Sul e mais chuva no Norte e Nordeste está enfraquecido, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Especialistas observaram uma diminuição de incidência em fevereiro.

O multimodelo de previsão do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul, aponta para uma probabilidade de 55% que o fenômeno vai terminar nos próximos meses, dando início a fase de neutralidade no próximo trimestre (abril - maio - junho/2021), com uma probabilidade de ocorrência de 60%. Ressalta-se que, este não é o único fenômeno determinante para o comportamento do clima, pois existem outros fatores naturais que podem intensificar ou atenuar os potenciais efeitos de uma La Niña, como por exemplo, a temperatura do oceano Atlântico na faixa tropical ou no sudeste da América do Sul.

No Brasil as chuvas voltaram gradativamente para o Sul e causaram prejuízos no Centro-Oeste e Norte. Os grandes volumes em fevereiro atrasaram a colheita da soja. Estados como Mato Grosso, Tocantins e Paraná observam demora na retirada da soja da lavoura, grãos avariados, lavouras deixadas de serem colhidas apodrecerem e perda da janela ideal para o plantio do milho segunda safra.
Em março, abril e maio os meteorologistas do Inmet esperam chuva acima da média no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Já o Sul pode ter precipitações abaixo da média. Confira a previsão detalhada por regiões:

Região Norte

A previsão climática indica maior probabilidade de que as chuvas durante o trimestre de março a maio/2021 deverão ocorrer acima da média climatológica em praticamente toda a região, podendo ficar abaixo no noroeste do Pará, sudoeste do Amazonas, leste do Acre, Rondônia e sul do Tocantins. Em abril/2021, os valores mais significativos de excedente hídrico estão previstos para a parte central do Amazonas, nordeste do Pará e leste do Amapá. Já em maio/2021, a previsão indica áreas de excedente hídrico mais localizadas para parte norte da Região Norte, enquanto os déficits hídricos estão previstos para o sudoeste de Rondônia e sul do Tocantins.

Região Nordeste

Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas acima em grande parte Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e oeste da Paraíba. Nas demais áreas, a previsão é de irregularidade das chuvas, com desvios de chuva de até 50 mm acima de média na parte leste do nordeste e oeste da Bahia, enquanto na metade leste da Bahia, extremo sul do Maranhão a tendência é de chuvas abaixo da média. Para os meses abril e maio/2021, prevê-se um aumento da área de déficit, com maiores valores sobre o norte da Bahia.
Região Centro-Oeste


A previsão indica que as chuvas deverão ocorrer acima da média sobre a maior parte da região, com exceção do noroeste e sul do Mato Grosso, sul de Goiás e do Mato Grosso do Sul, além do oeste de Goiás, onde a previsão indica chuvas abaixo da média. Nos meses de abril e maio/2021, tem-se a redução dos valores de excedente hídrico nos quatro estados e uma ampliação da área de déficit hídrico, principalmente no mês de maio.

Região Sudeste

A previsão indica que as chuvas permanecerão acima da média em grande parte da Região Sudeste, exceto no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, sul de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde a previsão indica chuvas abaixo da média. Para abril e maio/2021, está previsto uma ampliação da área de déficit, principalmente no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Nas demais áreas, são previstos baixos valores de excedente hídrico.

Região Sul

Para a Região Sul, as previsões climáticas indicam que o trimestre deve ficar com chuvas abaixo da média climatológica em grande parte da Região Sul, exceto no extremo sul do Rio Grande do Sul, onde as chuvas previstas deverão ocorrer ligeiramente acima da média. Já nos meses de abril e maio/2021, existe uma tendência de redução nos valores de excedente hídrico para o solo.

Fonte: Agrolink

Data: 17/03/2021